Texto

Bassolo — crítica em Ruch Muzyczny

Crítica de Krzysztof Kwiatkowski em Ruch Muzyczny dedicada ao álbum duplo Bassolo — XX/XXI Centuries’ Contrabass Music, publicado pela DUX.

Ruch Muzyczny, n.º 15/2011

A crítica de Krzysztof Kwiatkowski, publicada em Ruch Muzyczny n.º 15 em 24 de julho de 2011, trata do álbum duplo Bassolo — XX/XXI Centuries’ Contrabass Music, publicado pela DUX.

O documento fonte é conservado em polonês; a edição brasileira em português abaixo foi preparada diretamente a partir do original.

Edição brasileira em português integral preparada diretamente a partir da crítica polonesa; transcrição fonte verificada a partir da digitalização da publicação.

Ruch Muzyczny, n.º 15/2011 — digitalização da crítica

Digitalização da crítica do álbum Bassolo em Ruch Muzyczny n.º 15/2011.
Krzysztof Kwiatkowski, Ruch Muzyczny, n.º 15, 24 de julho de 2011, p. 43.
Aleksander Gabryś com a Orquestra Sinfônica da Filarmônica da Silésia em Katowice, fevereiro de 2009.
Aleksander Gabryś durante Musica concertante per violbasso e orchestra de Witold Szalonek com a Orquestra Sinfônica da Filarmônica da Silésia, regência de Czesław Grabowski. Katowice, fevereiro de 2009. Foto: Krzysztof Lisiak.
Aleksander Gabryś ao microfone durante An die Freude de Ryszard Gabryś em Katowice, fevereiro de 2009.
Aleksander Gabryś durante An die Freude de Ryszard Gabryś. Katowice, fevereiro de 2009. Foto: Krzysztof Lisiak.
Retrato de perfil de Aleksander Gabryś em Katowice, fevereiro de 2009.
Aleksander Gabryś. Katowice, fevereiro de 2009. Foto: Krzysztof Lisiak.
Fotografia próxima de perfil de Aleksander Gabryś em Katowice, fevereiro de 2009.
Aleksander Gabryś. Katowice, fevereiro de 2009. Foto: Krzysztof Lisiak.
Segunda fotografia próxima de perfil de Aleksander Gabryś em Katowice, fevereiro de 2009.
Aleksander Gabryś. Katowice, fevereiro de 2009. Foto: Krzysztof Lisiak.
Retrato de Aleksander Gabryś com a mão próxima ao rosto em Katowice, fevereiro de 2009.
Aleksander Gabryś. Katowice, fevereiro de 2009. Foto: Krzysztof Lisiak.

«…também os sons mais brutais e “feios” proporcionam prazer físico.»

«…em sua maneira de tocar se ouve um excelente senso de sua natureza acústica.»

«…o músico se entrega com plena convicção, sem qualquer distanciamento.»

«Gabryś é, aliás, um desses intérpretes que se pode ouvir por eles mesmos.»

Bassolo — crítica em Ruch Muzyczny

Edição brasileira em português

BASSOLO

Gabryś, Szalonek, Bogusławski, Cage, Grisey, Lauck, Dziadek, Roth, Scelsi, Oehring, Pritchard, Knüsel, Lee, Iršaj, Xenakis
Aleksander Gabryś — contrabaixo, Orquestra Sinfônica da Filarmônica da Silésia, regência de Czesław Grabowski, Camerata Impuls, regência de Małgorzata Kaniowska, Consuelo Giulianelli — harpa, Jürg Henneberger, Daniel Buess — piano
Dux 0800/0801 (2010, 2 CDs)

Aleksander Gabryś é um artista notável: não é apenas um conhecedor dos segredos do contrabaixo contemporâneo, com um repertório que abrange várias centenas de peças, mas também um músico que impressiona pela força de seu envolvimento nas obras que interpreta, distinguindo-se assim da elegância fria que domina a performance de alto nível da música nova. Diversos tipos de harmônicos, glissandi duplos extremamente agudos além do espelho (como em Theraps, de Xenakis) e enormes saltos intervalares soam convincentes em sua interpretação não apenas porque Gabryś domina magnificamente a técnica, mas também porque em sua maneira de tocar se ouve um excelente senso de sua natureza acústica — graças a isso, os sons mais brutais e “feios” proporcionam prazer físico. Suas capacidades foram reconhecidas tanto pelos melhores ensembles europeus (entre eles Ensemble Modern e Klangforum Wien), com os quais o contrabaixista polonês se apresenta, quanto por muitos compositores que lhe dedicaram obras.

O álbum lançado pela Dux consiste em dois discos: o primeiro começa com An die Freude, de Ryszard Gabryś, pai do contrabaixista, que nesta obra também canta, recita e emite diversos sons. Como em várias outras composições deste álbum, o músico se entrega a essas “ações” vocais com plena convicção, sem qualquer distanciamento, de acordo com as expectativas dos compositores.

As três obras seguintes são destinadas ao contrabaixo com acompanhamento de orquestra. As partes orquestrais de Musica concertante per violbasso e orchestra (1977), de Witold Szalonek, também incluem muitos efeitos não convencionais obtidos em diversos instrumentos, sobretudo de sopro: clusters extensos convivem com fragmentos harmonicamente definidos. Em Concerto-Fantasia (1999), de Edward Bogusławski, pode-se admirar o solista em longas cadências, enquanto Il cicerone, de Ryszard Gabryś, é uma espécie de teatro de sons que representa uma viagem pelos canais de Veneza.

No segundo disco encontram-se onze obras de compositores estrangeiros e uma polonesa — Dla Aleksandra (2009), de Andrzej Dziadek. Estão aqui itens clássicos do repertório contemporâneo para contrabaixo, como C’est bien la nuit, de Giacinto Scelsi, e o já mencionado Theraps. É um verdadeiro banquete para o ouvinte, mas várias outras obras também chamam a atenção, como IYON – passage, a única peça do disco com eletrônica (sons de contrabaixo transformados), de atmosfera “filosófica” e grande beleza sonora. Em duas composições, outros instrumentos acompanham o solista: dois pianistas em um só piano nos primeiros Échanges (1968), de Grisey, e a harpa em Music for Double Bass and Harp, de Gwyn Pritchard, na qual o contrabaixo às vezes soa delicado e etéreo.

Também em cada uma das demais obras deste disco é possível encontrar algo interessante — Gabryś é, aliás, um desses intérpretes que se pode ouvir por eles mesmos. Vale ainda mencionar, embora não seja o mais importante, o belo projeto gráfico da capa.

Krzysztof Kwiatkowski