Obra
Avanti, Amico! — para clarinete, versão I
Avanti, Amico! [versão I] para clarinete
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Nota de programa
O título da obra significa simplesmente: «Avante, amigo!» Mas não se trata de um incentivo lançado de uma posição segura. Desde os primeiros sons, o intérprete se vê diante de algo que parece contrariar a própria natureza do instrumento. Os glissandos descendentes da abertura pertencem justamente àqueles gestos que todo clarinetista evita por instinto. Aqui, porém, tornam-se a primeira prova de caráter. Desde os primeiros segundos, a obra propõe uma espécie de pacto: se você não desistir diante dos primeiros obstáculos, seguiremos adiante juntos.
Toda a composição nasce da ideia de actus contra naturam — um ato consciente contra aquilo que parece óbvio, confortável e «natural». Onde o repertório clássico busca a beleza do som, o equilíbrio e a fluidez, Avanti, Amico! escolhe deliberadamente seguir na contramão. Paradoxalmente, são justamente os multifônicos de quatro sons — geralmente considerados entre os fenômenos mais instáveis do instrumento — que aqui se transformam em momentos de respiro e serenidade musical. Toda a dramaturgia do instrumento se inverte.
Uma das imagens ocultas da obra é a dupla hélice do DNA. O clarinete procura narrá-la com uma única voz: duas linhas fluidas, entrelaçadas, impossíveis de serem executadas simultaneamente na realidade. Surge assim a ilusão musical de um movimento duplo — mais uma tentativa de ultrapassar os limites do instrumento.
Durante boa parte da obra, o intérprete pode ter a impressão de que o compositor o conduz deliberadamente por uma sucessão de tarefas aparentemente impossíveis. A técnica parece lutar contra a natureza do instrumento, enquanto a dúvida começa a insinuar-se na mente. Somente quando se observa a forma como um todo se percebe que justamente esse esforço constitui o verdadeiro tema da composição. Não se trata de um virtuosismo espetacular, mas da superação contínua dos próprios limites.
As origens desse imaginário musical remontam muito antes de 2003. Ainda adolescente, estudei clarinete durante dois anos como instrumento complementar com o professor Norbert Gabryś. Em vez de registrar minhas ideias no papel pautado, passava incontáveis horas gravando, em gravadores Unitra e Kasprzak, minhas próprias experiências: notas falhadas, multifônicos e as cores mais brilhantes, mais «pavoninas», que conseguia extrair do clarinete. Naquela época eu não imaginava que essas primeiras explorações se transformariam, anos mais tarde, no material de uma composição plenamente autônoma. Avanti, Amico! representa, portanto, também um retorno afetuoso àquelas primeiras descobertas.
Outra fonte de inspiração igualmente importante foi minha experiência como contrabaixista e a maneira como Iannis Xenakis pensava o instrumento. Fascinava-me a possibilidade de ir além daquilo que o instrumento reconhece como sua própria natureza e de compreender a técnica interpretativa como um espaço de imaginação criadora, e não como um sistema rígido de limitações.
Embora a obra tenha sido concebida para clarinete solo, já em 2003 preparei também uma versão para clarinete baixo, por iniciativa de Toshiko Sakakibara, do Ensemble Phoenix Basel. Mais de vinte anos depois, durante o trabalho em Rio, meu Rio (2025), retornei a muitas das ideias multifônicas desenvolvidas pela primeira vez justamente em Avanti, Amico! Em 2026 retomei também a versão para clarinete baixo, preparando uma edição revisada.
Nota da primeira edição fonográfica (Polskie Radio Katowice, 2004)
O texto a seguir é uma tradução da nota do autor publicada no livreto da primeira edição fonográfica da obra. O texto original em polonês permanece preservado no arquivo como fonte histórica.
Avanti, Amico! para clarinete solo é uma miniatura virtuosística cujo material musical é constituído, em grande parte, por sons combinados. A obra foi composta na primavera de 2003 e existe também numa versão adaptada para clarinete baixo, inspirada por Toshiko Sakakibara, extraordinária clarinetista do Ensemble Phoenix Basel.