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Bazyli Matysiak (1929–1992)

Aleksander Gabryś durante uma aula de contrabaixo com Bazyli Matysiak em março de 1989.
Março de 1989. Durante uma aula de contrabaixo com Bazyli Matysiak. Arquivo privado.

Memória pessoal de Aleksander Gabryś sobre Bazyli Matysiak, seu primeiro professor de contrabaixo: um mestre que sabia ver as pessoas e abrir diante delas o mundo do som.

Memória pessoal de Aleksander Gabryś sobre Bazyli Matysiak, seu primeiro professor de contrabaixo, escrita em Basileia em julho de 2026.

Bazyli Matysiak (1929–1992)

Não me lembro da primeira aula.

Lembro-me do caminho.

Para entrar na sala de contrabaixo nº 418, no quarto e último andar do "Karłowicz", era preciso primeiro atravessar um corredorzinho escuro. No caminho, passava-se pela sala de violino. Da manhã à noite, ali havia estudo incessante - dezenas de arcos cortando o ar. Isso tinha uma vantagem inesperada. Quando, pouco depois, eu abria a porta da sala de contrabaixo, cada som do instrumento parecia uma libertação. Não importava o que se tocasse. O próprio timbre trazia alívio.

Depois havia ainda as portas duplas - uma espécie de eclusa, hoje talvez já rara. Por uma fração de segundo, caía nela uma escuridão quase teatral. E logo depois apareciam a luz, o cheiro de madeira velha, partituras, breu e crina seca dos arcos.

E uma voz.

— Prego, Maestro! Avanti! Aleksander Gabryś! Polska!

Era assim que Bazyli Matysiak me recebia.

Eu tinha treze anos.

Hoje penso que foi justamente então que senti pela primeira vez o que significa ser realmente visto por um professor. Não porque eu tivesse tocado bem. Não porque eu fosse talentoso. Simplesmente porque alguém se alegrava com a minha chegada.

Assim começou uma das relações mais importantes da minha vida.

O professor Matysiak era músico da Grande Orquestra Sinfônica da Rádio e Televisão Polonesa. Para mim, era antes de tudo um ser humano.

Havia nele algo de Zé Colmeia - o calor e a bondade - mas ao mesmo tempo a agilidade de uma raposa, a destreza de um malabarista de circo e a intuição de um palhaço sábio. Com uma única piada, conseguia mudar o modo como uma pessoa olhava para uma situação que, um instante antes, parecia dolorosa ou injusta. Nunca envergonhava ninguém. Não construía autoridade pelo medo. Exigia muito, mas dava ainda mais.

Sobreviveu à guerra. Cresceu na pobreza, da qual às vezes falava serenamente, sem sombra de amargura. Hoje penso que foi justamente ali que aprendeu algo extraordinário: que o humor inteligente é um dos maiores dons que uma pessoa pode oferecer a outra.

Falava com suavidade. Com um sorriso. Gostava de passar inesperadamente ao italiano.

Prego… Maestro… Amico…

Soava tão natural, como se a música fosse realmente uma língua comum.

Certa vez encontrei-o por acaso na praça do mercado de Katowice. Estava parado com um cigarro. Quando me viu, escondeu-o na boca, fechou os lábios e, depois de um momento, soltou a fumaça… pelas orelhas. Ria como um menino. Só mais tarde me contou que tinha aprendido aquele truque anos antes, quando trabalhava no circo.

Até hoje, sempre que penso nisso, não vejo o cigarro, mas sua alegria infantil em fazer as pessoas rirem.

O maior dom que recebi dele não consistiu em me ensinar a tocar contrabaixo.

Ele deu seu calor a nós dois: a mim e ao contrabaixo.

Desde as primeiras aulas, nunca tive a sensação de segurar um objeto nas mãos. Tudo estava vivo. O som. O movimento. A madeira. O cheiro da crina do arco aquecida pelo atrito, do breu e das cordas metálicas. Talvez houvesse nisso também algo daquele ethos silesiano do trabalho que o Professor carregou consigo durante toda a vida.

Ainda naquele mesmo dia, depois da primeira aula, ganhei acesso, à noite, ao contrabaixo da escola. Comecei imediatamente a inventar meus próprios sons.

Glissandi.

Sonoridades ásperas atrás do cavalete.

Sons nas cravelhas.

Na escala.

No espigão.

O lento deslizamento do dedo pela corda sol, durante o qual harmônicos ocultos começavam a cintilar - como estrelas aparecendo no céu uma depois da outra.

Foi então que compreendi que o contrabaixo soa em toda parte.

Que ele é um pouco como a música eletrônica.

Só que sem computador.

Voltei para casa completamente convencido de que, a partir de dois contrabaixos da escola, era possível construir um só, ainda melhor. Felizmente, meus pais contiveram a tempo meus primeiros ímpetos de construtor.

Mas já era tarde demais.

De repente, o mundo se revelou maior.

O mais belo eram as férias.

Para a maioria das crianças, a escola fechada significa liberdade.

Para mim, desde o momento em que comecei a tocar contrabaixo, teria significado perda.

Insisti até conseguir permissão para pertencer àquele punhado de alunos que podiam ir no verão ao prédio vazio e estudar.

Até hoje me lembro daquela sala.

Aquecida pelo sol.

Nos raios oblíquos de luz que entravam pela direita, flutuavam partículas de poeira e pó branco de breu.

Cheirava a madeira.

A partituras.

A breu.

Era um silêncio que não estava vazio.

Estava cheio de música que ainda haveria de acontecer.

E justamente então o telefone muitas vezes tocava.

O Professor voltava do Japão ou da Itália.

— Aleksander… vamos nos encontrar?

Não sei descrever a alegria que sentia depois dessas ligações.

Eu corria para a escola com a cabeça cheia de novas descobertas e experimentos. Ele sempre os escutava com verdadeira curiosidade.

E das viagens trazia pequenas coisas.

Breu.

Uma imagem.

Alguma pequena lembrança.

O breu verde da Petz que recebi dele naquela época ainda tenho até hoje.

Às vezes abro a caixinha apenas para sentir mais uma vez aquele cheiro.

Depois de alguns meses de estudo, aconteceu algo que, visto da perspectiva do tempo, me parece extraordinário.

O Professor escreveu para mim um breve estudo.

Ele não se considerava compositor.

Simplesmente me entregou alguns pentagramas escritos a lápis e disse que era um esboço que eu poderia desenvolver à minha maneira.

Ele não podia saber que, com esse gesto simples, estava abrindo diante de mim o caminho que eu seguiria por toda a vida.

Foi a primeira obra escrita especialmente para mim.

E a primeira vez que alguém me disse que eu mesmo podia escrever a continuação.

Uma vez ele me feriu muito.

Ou melhor - foi assim que me pareceu então.

Durante uma aula, interrompeu meu tocar e, com um leve sorriso, quase de desculpa, disse que eu não o "fizesse de bobo".

Escondi-me no banheiro da escola e acho que chorei por meia hora.

Eu estava convencido de que havia decepcionado um homem que respeitava tanto.

Quando finalmente saí e desci ao térreo, ele estava esperando por mim.

Aproximou-se.

Pediu desculpas.

Hoje sei quanta humildade, empatia e força interior se exige de uma pessoa adulta para pedir desculpas a um aluno de treze anos.

Penso que naquele dia ele me ensinou algo muito mais importante do que tocar contrabaixo.

Quando, muitos anos depois, mostrei ao Professor minhas primeiras composições premiadas - Miniatury na kontrabas i dźwięki komputerowe e Voak gefeustich -, ele talvez tenha ficado tão feliz quanto eu.

Olhando da perspectiva de hoje, penso cada vez mais que o maior talento de Bazyli Matysiak não era ensinar a tocar.

Era enxergar as pessoas.

Fazer com que quisessem ser mais corajosas.

Mais trabalhadoras.

Mais elas mesmas.

Desde aqueles anos, encontrei muitos grandes artistas e pedagogos. Cada um deixou em mim alguma marca, e sou grato a cada um por isso.

Mas, sempre que abro a caixa verde de breu Petz, volto ao quarto andar do "Karłowicz".

Atravesso o corredor escuro.

Passo pelos violinos.

Abro as portas duplas.

Por um instante cai a escuridão.

E então ouço novamente:

— Prego, Maestro! Avanti! Aleksander Gabryś! Polska!

Algumas pessoas não cabem no tempo passado.

Para mim, Bazyli Matysiak é uma delas.

Porque, se eu tivesse de dizer em uma única frase quem foi para mim meu primeiro Professor de contrabaixo, eu diria simplesmente:

Eu gostaria de ser como Ele.

Aleksander Gabryś

Basileia, julho de 2026